quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fitch reduziu o rating do Banco Panamericano de "AA+" para "A-".

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou hoje o rating nacional de longo prazo do Banco Panamericano em cinco degraus, de "AA+(bra)" para "A-(bra)". A nota de curto prazo também foi reduzida, de "F2(bra)" para "F1-(bra)", e o rating de suporte caiu de "3" para "2". A Fitch rebaixou ainda a Panamericano Arrendamento Mercantil, de "BBB+(bra)" para "AA(bra)". A perspectiva dos ratings é negativa.

A mudança é reflexo do comunicado divulgado na terça-feira pelo Panamericano, de que seu acionista controlador, o Grupo Silvio Santos, realizou uma injeção de capital de R$ 2,5 bilhões no banco para absorver os efeitos de irregularidades contábeis.

"As ações são guiadas pelo fato de o suporte contingente observado ter sido inteiramente proveniente do acionista controlador, levantando dúvidas sobre a propensão do acionista minoritário do banco, a Caixa Econômica Federal, a oferecer suporte através de injeção de capital, uma das premissas do rating de suporte atribuído ao Panamericano em 29 de julho", explicou a Fitch.

A agência de rating acredita que o suporte da Caixa para prover liquidez ao Panamericano deve continuar disponível e que o banco tem ativos que, somados à liquidez gerada pela injeção de capital, devem sustentar sua capacidade de suportar uma pressão significativa sob sua base de captação institucional.

Apesar da injeção de capital exceder em cerca de 10% o volume de irregularidades contábeis encontradas, dando espaço para cobrir ajustes adicionais, a Fitch disse que a observação negativa dos ratngs reflete a preocupação de que, "neste estágio, a reação do mercado e a possibilidade de divulgação de novas necessidades de ajustes podem se mostrar mais severos do que o esperado, ou ainda, influenciar a propensão de a Caixa a continuar a oferecer suporte de liquidez".

Meirelles sinaliza venda de controle do Panamericano

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sinalizou nesta quinta-feira que o controle do Banco Panamericano, detido pelo grupo Silvio Santos, deve ser vendido. Meirelles também frisou que a autoridade monetária não pode garantir que nenhum outro banco do sistema financeiro apresente problemas.
"O grupo Silvio Santos entregou como garantia do empréstimo todo seu patrimônio empresarial. Então é plausível se imaginar que para viabilizar os recursos para o pagamento do empréstimo, que uma das medidas possa ser a venda de participação acionária no banco", disse Meirelles a jornalista, após participar de audiência pública em Comissão de Orçamento.
O Panamericano anunciou na terça-feira à noite que o grupo Silvio Santos, acionista controlador, aportou 2,5 bilhões de reais na empresa, para corrigir inconsistências contábeis.
Os recursos foram obtidos por meio de empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que teve como garantia as empresas do grupo Silvio Santos. O pagamento será feito no prazo de 10 anos.
"A Caixa (Econômica Federal) vai começar a executar seu plano de negócio juntamente com o sócio e, possivelmente com um novo sócio que entrar no lugar do sócio controlador, na medida em que ele teria que vender sua participação para pagar o FGC", disse Meirelles, durante a audiência.
A Caixa, que comprou 49 por cento do capital votante do banco em dezembro do ano passado, descarta colocar mais dinheiro no Panamericano e também assumir o controle do banco, disse à Reuters na quarta-feira uma fonte com conhecimento do assunto, sob condição de anonimato.
Meirelles disse que, do total de 2,5 bilhões de reais aportados pelo controlador, 2,1 bilhões de reais disseram respeito a problemas encontrados nas carteiras do banco e 400 milhões de reais, a questões relacionadas a cartão de crédito.
Destacando que cartões de créditos não são regulados pelo BC, Meirelles não deu detalhes sobre o assunto.
RISCO MORAL
Questionado por parlamentares se o Banco Central poderia garantir que nenhuma outra instituição financeira do país teria o mesmo tipo de situação, Meirelles disse que não é função do BC dar esse tipo de garantia. Em vez disso, afirmou, a responsabilidade do órgão é de fiscalizar.
"Nenhum banco central do mundo pode assumir responsabilidades futuras, garantir que todas as instituições do sistema não têm problema nenhum", afirmou. Porque o governo federal estaria assumindo um passivo incontingente de proporções incomensuráveis".
"Seria a criação de um incomensurável risco moral."
(Reportagem de Isabel Versiani)

Equipe de Eike usa twitter para negar interesse em empresas do Grupo Silvio Santos

A equipe do empresário Eike Batista usou o twitter no fim da tarde desta quinta-feira para negar que interesse comprar as empresas de Silvio Santos. Mais cedo, em entrevista na Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) o próprio Eike anunciou que sua holding, a EBX, terá US$ 30 bilhões em caixa até US$ 2015 e não descartou um eventual interesse nos ativos do Grupo Silvio Santos, inclusive no banco PanAmericano, que acaba de receber um socorro de R$ 2,5 bilhões e no SBT.
- A gente olha tudo. O que dá para arbitrar e fazer melhor, a gente está de olho. Mas eu jamais entraria para competir com a Ambev ou com o Submarino. Mas como o Brasil tem um outro lado, que é o da ineficiência, o que abre um espaço gigante para investir - afirmou Eike Batista ao ser questionado sobre um possível interesse nas empresas do Grupo Silvio Santos.
"Esclarecemos que não temos interesse no Grupo SBT. Hoje foi dito que avaliamos sempre oportunidades de negócios, apenas isso", afirmou mais tarde a a assessoria do empresário por meio de twitter.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

BC encontra duplicidade de carteira em balanços do PanAmericano

O Banco Central informou ter encontrado duplicidades de carteiras de crédito nos balanços do PanAmericano e de outros bancos. A instituição controlada pelo grupo Silvio Santos teria vendido carteiras a outros bancos, mas não teria promovido a baixa contábil em seus demonstrativos financeiros há cerca de três, quatro anos.
A constatação foi feita a partir da análise dos balanços do segundo trimestre de diversas instituições financeiras, realizada há cerca de seis semanas.
O diretor de Fiscalização, Alvir Hoffmann, afirmou ainda que "há indícios" de que as mesmas carteiras "foram vendidas mais de uma vez."
Isso indica que o "rombo" do banco controlado pelo grupo Silvio Santos, pode ser maior. Hoffmann disse que manterá um funcionário do BC "dentro" do Panamericano, e que uma visão global da fraude pode demorar.
O empréstimo com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 2,5 bilhões foi para ajustar o patrimônio líquido do banco, de R$ 1,6 bilhão, e mais R$ 900 milhões para continuar a operar com a mesma alavancagem que tinha antes.
Por enquanto, o BC está instaurando apenas processo administrativo. Quando tiver indícios concretos e responsabilização da fraude, encaminha para o Ministério Público Federal para possível abertura de processo criminal.

Melhor Solução
O socorro de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), fundo mantido com recursos dos depósitos dos bancos, foi a melhor solução encontrada para salvar o Banco Panamericano, avaliou o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Alvir Hoffmann.
"Outra solução, que para nós seria um desastre, seria liquidar o banco", disse o diretor, após assegurar que, agora, "o Panamericano segue vida normal."
"O que houve foi uma operação de assistência financeira. O FGC tem a função de garantir a estabilidade do sistema financeiro, como é em todo lugar do mundo, e seu mandato exige que a assistência seja no volume que for necessário, dependendo do tamanho da instituição", sustentou.
O empresário Silvio Santos terá 10 anos para devolver o resgate dado pelo FGC. A holding Silvio Santos Participações ainda terá uma carência de três anos para iniciar o pagamento do empréstimo, obtido por meio da emissão de debêntures.
Os ativos de garantia perfazem um patrimônio estimado em R$ 2,7 bilhões pelo FGC e podem ser, se necessário, colocados à venda para cobrir o empréstimo. Os dividendos obtidos pela holding de Silvio Santos também serão usados no pagamento do resgate.

Ações caem quase 30%
Um dia depois do anúncio do resgate de R$ 2,5 bilhões pelo Banco PanAmericano, em meio a denúncias de fraudes na instituição - que tem o Grupo Silvio Santos como principal acionista -, as ações preferenciais do banco, que estão fora do Ibovespa, despencaram.
As ações preferenciais do banco de investimento caíram 29,54%, a R$ 4,77, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quarta. Na terça, o ativo fechou com queda 6,74%, o oitavo pior desempenho entre papéis fora do índice de referência da Bolsa brasileira.
Os ativos de pequenas instituições financeiras também registraram baixas. As ações do Banco Pine desceram 2,59% (a R$ 13,50), BicBanco caiu 5,36% (a R$ 15,00); ABC Brasil PN recuou 0,79% (a R$ 16,30) e Sofisa PN se depreciou em 4,80%, a R$ 4,95.
Leia mais: A Bovespa e o dólar neste dia 10 de novembro
As grandes instituições financeiras, no entanto, registraram altas. As ações preferenciais do ItaúUnibanco subiram 1,15% (a R$ 42,85), e as do Bradesco avançaram 1,38%, a R$ 36,50. As ações do banco Santander registraram alta de 1,06% (a R$ 24,76) e do Banco do Brasil.
Para a analista do setor bancário da Ativa Corretora, Luciana Leocádio, apenas bancos menores, com perfis mais próximos ao do PanAmericano, devem sofrer influência dos rumores da falência da instituição de Silvio Santos:
- É natural que os outros bancos médios fiquem de olho até terem a clareza do que de fato aconteceu com o PanAmericano. Os bancos com uma característica similar tentem a ser penalizados. Mas as grandes instituições não devem ser contaminadas com a notícia - afirmou Luciana.
Acionistas não sofrerão diluição, diz PanAmericano
Em um comunicado, feito a pedido da BM&F Bovespa, o PanAmericano informou que os recursos do aporte não serão usados para um futuro aumento de capital e, portanto, os atuais acionistas não sofrerão diluição em suas participações. O aporte está sendo feito na "conta do acionista controlador" e não irá gerar qualquer encargo para o banco.
Além disso, não haverá resgate futuro dos recursos, que estão sendo usados para recompor inconsistências contábeis. O Panamericano afirmou ainda que "está em tratativas com o Banco Central do Brasil em relação ao tratamento contábil que será dado a tal aporte".
A instituição financeira acrescentou que "as operações de crédito e investimentos continuam normalmente, mantendo-se as atuais políticas de crédito. As atividades das lojas e o atendimento ao público também permanecem inalterados".

BANCO PANAMERICANO X CAIXA ECONOMICA - NOTICIA RELEVANTE

O principal acionista do banco Panamericano (Caixa Econômica Federal) resolveu todos os problemas que apareceram, diz uma fonte ligada à instituição 

O megadepósito de R$ 2,5 bilhões e a troca de toda a diretoria do Banco Panamericano anunciados na noite desta terça-feira, 9, foram a solução encontrada pelo Grupo Silvio Santos, Caixa Econômica Federal e Banco Central para que fossem resolvidos os problemas da financeira sem que o novo sócio, a estatal Caixa, tivesse de fazer aportes.

"O principal acionista resolveu todo o problema que apareceu", diz fonte ligada à instituição. Há pouco mais de um mês, houve um encontro surpresa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Silvio Santos no Palácio do Planalto e nesta terça circularam especulações de que o assunto poderia ter sido tratado entre eles.
Quando as inconsistências foram encontradas no balanço do Panamericano, foi decidido que o novo acionista, a Caixa, não teria responsabilidade inicial de realizar novos aportes porque os problemas foram criados em um período anterior à compra de 49% do capital da financeira pelo banco estatal. Dessa forma, o acionista majoritário teve de assumir toda a responsabilidade para cobrir o rombo aberto nos números.
Diante da responsabilidade integral do controlador, foi costurada uma solução ao longo das últimas semanas para que houvesse o megaempréstimo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sem que o Grupo Silvio Santos tivesse de tomar recursos no mercado, o que poderia chamar a atenção para o problema.
O FGC é uma entidade privada constituída por todos os bancos que operam no Brasil que garante depósitos de clientes nas instituições financeiras em caso de problema nos bancos. Por ter essa característica de "condomínio de depósitos", os principais cotistas do FGC tiveram de aprovar o empréstimo anunciado nesta terça à noite. Para os principais cotistas do Fundo, é melhor emprestar o grande volume de dinheiro agora a ver o problema se espalhar, o que poderia colocar todo o setor em risco.


Sem estatal. A hipótese de a Caixa aumentar a participação no Panamericano foi rapidamente descartada, já que o banco federal já tem 49% das ações do banco. Sendo assim, a maior fatia da Caixa poderia transformar a financeira do Grupo Silvio Santos em uma entidade estatal.


Agora, feito o mega-aporte, há expectativa de que não seja alterada a composição acionária da instituição - sendo mantida, portanto, a fatia de 51% do capital de posse do Grupo Silvio Santos e 49% da Caixa Econômica Federal.

Doação ao Teleton. O problema constatado no Panamericano teria sido anunciado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo empresário Silvio Santos. Em 22 de setembro, o apresentador de TV teve reunião surpresa com Lula em um encontro não previsto na agenda do Palácio do Planalto.
Oficialmente, o objetivo da reunião foi pedir uma doação de Lula ao Teleton, programa de televisão que arrecada dinheiro de empresas e pessoas físicas para a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD).
Ao deixar o encontro, Silvio Santos disse que pedira doação de R$ 12 mil e que o presidente da República gravasse vídeo para ser exibido no programa. A edição de 2010 do Teleton foi realizada no último fim de semana.
Vale lembrar que a CaixaPar, braço de investimentos do banco estatal, fez uma longa e detalhada avaliação dos números do Panamericano antes de bater o martelo para a compra de 49% do capital do banco em dezembro de 2009. Na época, não havia sido encontrada nenhuma inconsistência nos balanços e relatórios.